João Merino
Cantor lírico de Rio de Moinhos
O interesse pela música despertou cedo
em João Merino que seguiu a sua
vocação mesmo quando muitos lhe auguravam
um futuro mais negro. Vingou.
Hoje é um cantor lírico de prestígio no
país e presença assídua nos palcos do
Teatro de São Carlos em Lisboa, onde
actua em diversas óperas.
O barítono de Rio de Moinhos diz que em
Portugal se consegue viver do canto,
mas não esconde que as remunerações
decaíram nos últimos anos.
Um dia na vida de...
João António Merino da Rocha Leal de Moura, artisticamente conhecido
como João Merino, nasceu em Rio de Moinhos há 35 anos. Desde
cedo cantar foi para este penafidelense uma coisa natural. “Na família
do lado da minha mãe era muito frequente todos juntarem-se em casa
do meu avô em animado convívio.
O canto, a brincadeira, as tertúlias eram constantes”, explica o barítono,
filho de um bancário e de uma professora primária. Logo no 5.º
ano, quando frequentava a escola de Paredes, participou num concurso
e foi premiado, mas, confessa, não gostou da experiência.
Da infância e adolescência na região recorda a “anormalidade” de
ter andado a saltitar de escola em escola, que o fez aprender a adaptar-
se rapidamente. “Factor que tem sido extremamente importante
na minha carreira profissional”, reconhece o cantor.
Com a música sempre presente e depois de ter realizado um percurso
escolar na área de Engenharia Electrotécnica, trocou o curso superior
na Faculdade de Engenharia do Porto pela recém-formada Escola Profissional
de Musica do Porto. Entrou no curso de Prática Coral, decisão
“polémica e difícil”, recorda. “’Vais morrer à fome!’, “Os músicos são
uns boémios desgraçados!’, ‘Tudo bem, mas e um curso a sério, quando
tiras?’ foram só algumas frases que ouvi repetidamente”, diz o barítono.
Distinguido como um dos melhor es alunos
O apoio dos pais levou-o a prosseguir com o sonho. E em 1995 ingressou
na Escola Superior de Musica e Artes do Espectáculo do Porto. Um
percurso nada fácil, já que tinha que trabalhar para pagar os estudos.
“Entre dar aulas, alguns concertos no Circulo Portuense de Ópera e estudar
o tempo era pouco”, confessa. Por isso, terminar o curso foi “algo
penoso”. Chegou mesmo a fazer um interregno de dois anos. Apesar
disso, graduou-se em 2006, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Eng. António
de Almeida, que distingue os melhores alunos das universidades
portuenses ligadas às artes.
Nessa altura, já tinha mais de 12 anos de experiência. “Os convites
para concertos e óperas já existiam desde 1997 e 2006 foi muito rico em
termos de actuações, fiz cerca de 60 só nesse ano”.
Mas depois da conclusão do curso sentiu que sua formação artística
tinha chegado “a um beco sem saída”.
Para continuar a evoluir saiu de Portugal para aprender com alguém
que tinha uma carreira de 30 anos como cantor profissional: Francisco
Lázaro. “Um cantor lírico tem de estar, na minha opinião, em constante
reciclagem e aperfeiçoamento. O corpo é o nosso instrumento e está
em constante alteração”, frisa.
Estreou-se nos palcos, como profissional, em 1997. Na ópera “La Traviata”, de Verdi, em Santa Maria da Feira, interpretando o “Doutor Grenvil”. “Recordo-me como se
fosse hoje, estava extremamente nervoso. Mas correu tudo bem”, conta.
Hoje tem já um vasto currículo na participação em óperas. As favoritas,
revela João Merino, são as de Mozart, “quer pela qualidade da
escrita musical quer pela relevância, carácter e carisma dos papéis
que desempenhei”. Actualmente está a preparar a ópera “Porgy and
Bess”, de Gerswin, para apresentar no concerto de encerramento
do Festival Dias da Musica, no CCB,e a ópera “Il capello de paglia di Firenze”,
de Nino Rota, com estreia em Maio, no Teatro Nacional de São
Carlos, onde participa nas temporadas com regularidade.
Ter o canto como profissão é desgastante física, psicológica e
emocionalmente, revela o barítono.
“Nas seis semanas anteriores à estreia iniciam-se os ensaios de cena.
O que significa seis horas de ensaio diário, seis dias por semana”,
concretiza. Seguem-se espectáculos dia sim, dia não. Para manter a
voz, o seu instrumento de trabalho, sempre nas melhores condições,
há que descansar, comer bem e estar hidratado: “É a saúde vocal que
irá determinar a durabilidade e fiabilidade do cantor. Um cantor que
fica rouco com facilidade ou que está frequentemente doente da
garganta dificilmente conseguirá fazer carreira. Um cantor lírico em
carreira é como um atleta de alta competição, tem de treinar todos
os músculos do corpo e estar afinadinho como um Formula 1”, explica.
Regresso a Rio de Moinhos está nos planos
As actuações têm sido sobretudo em Portugal, mas também já
passou por palcos espanhóis e italianos.
Em 2006, participou num concerto em Rio de Moinhos com
a Orquestra do Norte. Actuar “em casa”, confessa, “foi muito difícil”.
“Cantar para os ‘nossos’ expõe-nos a uma responsabilidade enorme,
mas o carinho e o reconhecimento que recebi valeu por tudo”, recorda
João Merino.
A viver actualmente em Setúbal, o cantor continua a vir uma
vez por mês à terra natal onde pretende regressar em definitivo
quando terminar a carreira. Mas esse dia ainda está longe, garante.
Além das duas óperas que tem em mãos, faz parte de parte de
um projecto que pretende levar um espectáculo, criado de raiz e
com árias de ópera conhecidas, aos teatros dos municípios de todo
o país, desmistificando a ópera como algo eclético e de elites.
Por concretizar está ainda um sonho. Actuar no Teatro Alla Scala
de Milão.
Discurso directo
Em Portugal consegue-se viver do canto?
“Já foi mais fácil! Não me posso queixar da quantidade de convites
que tenho recebido todos os anos e que me têm permitido
estar continuamente ocupado.
Mas o facto é que o nível remuneratório tem vindo a decair
drasticamente de ano para ano. Dou um exemplo: o primeiro
papel que fiz, embora um papel secundário e há 14 anos atrás,
foi um dos mais bem pagos até hoje. Acho que as Instituições e
mesmo os particulares não têm uma real noção do trabalho que
está por trás de uma ópera ou de um recital. Muitas vezes ouvi
a pergunta ‘mas tem de se pagar?’ ou as palavras ‘pensei que
o fazia por gosto’”.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Entrevista que saiu na revista "BIBONORTE" - Fevereiro
9 BIBONORTE . FEVEREIRO . 2011
João Merino nasceu para o canto
profissional há 14 anos e desde
daí nunca mais parou. Com uma
voz difícil de esquecer, o Barítono,
tem sido reconhecido em Portugal e no
resto do mundo. A sua voz ecoa no Teatro
de S. Carlos em Lisboa onde tem em
mãos três grandes óperas. É em Rio de
Moinhos, Penafiel, que encontra a paz e
se liberta do stress próprio da profissão.
O que é um barítono?
Barítono é o tipo de voz que eu tenho. A Voz
humana divide-se em 6 tipos principais, 3 femininos
e 3 masculinos: no feminino temos a
Soprano (é a mais aguda), a Mezzo-soprano
(Voz média) e o Contralto (voz grave), no tipo
masculino temos o Tenor (a mais aguda), o Barítono
(média) e o Baixo (a mais grave).
Há quanto tempo se dedica a esta profissão?
Tive a minha estreia como cantor profissional
em 1997 no Europarque, Santa Mª da Feira
com a ópera “La Traviata” de G.Verdi. Já lá
vão, portanto 14 anos..
Como descobriu as qualidades da sua voz?
Cresci numa família que se reunia todos os
fins-de-semana para convívio e onde se cantava
muito. No 5º ano participei num festival
da canção organizado pelo ciclo preparatório
de Paredes e obtive o 2º lugar. A partir dos 13
anos de idade e até cerca dos 20 fiz parte do
Grupo Coral de Rio de Moinhos e foi aqui, após
ter começado a fazer alguns solos nos serviços
religiosos que senti necessidade de iniciar
a minha formação com aulas de Canto. Relativamente
a descobrir as qualidades da voz
essa é a nossa procura eterna!
Como foi a experiência em Barcelona com o
tenor Francisco Lázaro?
Foi absolutamente fundamental. Com a conclusão
do meu curso superior na ESMAE de
certa forma senti que minha formação artística
tinha chegado a um beco sem saída, e a
única via de continuar o meu desenvolvimento
seria fora de Portugal e com alguém que para
além dos conhecimentos decorrentes de uma
formação universitária ao mais alto nível tinha
também uma carreira de 30 anos como cantor
profissional em alguns dos melhores teatros
de ópera do mundo. Esta experiência é absolutamente
fundamental na resolução de problemas
técnicos decorrentes duma carreira solistica,
assim como na criação de hábitos de uso
da voz de forma a uma potenciação máxima
do resultado final (potencia, definição tímbrica,
clareza da dicção) e, mais importante, da saúde
vocal pois isso irá determinar a durabilidade
e fiabilidade do cantor. Um cantor que fica
rouco com facilidade ou que está frequentemente
doente da garganta dificilmente conseguirá
fazer carreira. Um cantor lírico em carreira
é como um atleta de alta competição, tem
de treinar todos os músculos do corpo e estar
afinadinho como um Formula 1. Nesta linha de
pensamento tive a oportunidade de fazer uma
audição para o Francisco de forma a ele aferir
se valia a pena perder tempo comigo e ai tenho
estado desde 2006, agora de uma forma
mais esporádica mas em contínua formação e
reciclagem.
Há algum barítono conhecido com quem
gostava de se ter cruzado profissionalmente?
Adoraria ter tido a oportunidade de ter cantado
ao lado de Capuccilli, um artista maravilhoso
com uma voz gloriosa!
O facto de viver numa cidade mais pequena
não dificultou a entrada neste mundo?
Não, de forma alguma. Vivemos num mundo
global e conto um pequeno episodio que aconteceu
comigo e que descreve esta globalização
com rigor: Faz em Junho cerca de 3 anos
que eu estava sentado no tractor da minha
quinta em Penafiel, uma quinta- feira á tarde,
recebo uma chamada no telemóvel do Teatro
Nacional de S.Carlos a pedirem para estar no
dia seguinte de manha no auditório principal
para uma audição para o director artístico. Fiz
a audição, fui convidado para dois projectos no
S.Carlos, voltei para Penafiel ao fim da tarde já
estava novamente em cima do tractor a acabar
o trabalho do dia anterior. Na semana seguinte
estava em Madrid para mais audições.
Portanto o facto de viver numa cidade pequena
até me garante o escape ao stress de uma
profissão que exige muitas viagens, muitas
noites em hotéis.
Tem ideia de quantas pessoas se dedicam a
esta profissão no nosso país?
Cantores líricos profissionais não devemos ser
mais de cem, mas é difícil fazer uma contagem
rigorosa.
Quais são os seus projectos a curto prazo?
Neste momento estou a participar na produção
da ópera Gianni Schichi de Puccini e Blue
Monday de Gershwin que estreia no inicio de
Fevereiro, depois faço a ópera Il Capello di paglia
di Firenze em Maio e a ópera Carmen de
Bizet em Junho. Tudo no Teatro Nacional de S.
Carlos.
Em Portugal é fácil viver desta profissão?
Já foi mais fácil! Não me posso queixar da
quantidade de convites que tenho recebido todos
os anos e que me têm permitido estar
continuamente ocupado mas o facto é que ao
nível remuneratório tem vindo a decair drasticamente
de ano para ano. Dou um exemplo: o
primeiro papel que fiz e que já referi em cima,
embora um papel secundário e de há 13 anos,
está num dos mais bem pagos até hoje. Acho
que as Instituições e mesmo os particulares
não têm uma real noção do trabalho que está
por detrás duma opera ou de um recital. Muitas
vezes ouvi a pergunta: ”Mas tem de se pagar?
Eu pensei que o fazia por gosto?”
São horas e horas de preparação individual,
mais semanas de ensaios em conjunto e ainda
as semanas das apresentações.
Onde gostaria de actuar?
É um sonho ser convidado um dia para cantar
no Teatro Alla Scala de Milão.
É para mim o ícone máximo da lírica internacional.
Dos maestros com que trabalhou, há algum
que destaque particularmente?
Todos foram importantíssimos pelo que me
ensinaram, pela experiencia que proporcionaram.
Posso destacar talvez o maestro Michail
Jurowsky pela importância e destaque que
tem a nível internacional, é considerado um
dos grandes maestros da actualidade, e estar
ali ao lado dele a fazer música foi de facto
fantástico.
Prefere apresentar-se como solista, ou em
grandes espectáculos conjuntos?
Eu apresento-me sempre como solista!!! Mas
prefiro participar em óperas que fazer recitais
a solo. Os recitais são igualmente exigentes a
uma ópera mas é um trabalho individual, recolhido,
só e portanto bastante desgastante.
Como foi receber o Prémio Eng. António de
Almeida?
Foi muito bom! O curso foi bastante difícil
como são todos para um trabalhador estudante,
chegar ao fim e conseguir um dos melhores
resultados foi muito gratificante.
EU SOU
João Merino
João Merino nasceu para o canto
profissional há 14 anos e desde
daí nunca mais parou. Com uma
voz difícil de esquecer, o Barítono,
tem sido reconhecido em Portugal e no
resto do mundo. A sua voz ecoa no Teatro
de S. Carlos em Lisboa onde tem em
mãos três grandes óperas. É em Rio de
Moinhos, Penafiel, que encontra a paz e
se liberta do stress próprio da profissão.
O que é um barítono?
Barítono é o tipo de voz que eu tenho. A Voz
humana divide-se em 6 tipos principais, 3 femininos
e 3 masculinos: no feminino temos a
Soprano (é a mais aguda), a Mezzo-soprano
(Voz média) e o Contralto (voz grave), no tipo
masculino temos o Tenor (a mais aguda), o Barítono
(média) e o Baixo (a mais grave).
Há quanto tempo se dedica a esta profissão?
Tive a minha estreia como cantor profissional
em 1997 no Europarque, Santa Mª da Feira
com a ópera “La Traviata” de G.Verdi. Já lá
vão, portanto 14 anos..
Como descobriu as qualidades da sua voz?
Cresci numa família que se reunia todos os
fins-de-semana para convívio e onde se cantava
muito. No 5º ano participei num festival
da canção organizado pelo ciclo preparatório
de Paredes e obtive o 2º lugar. A partir dos 13
anos de idade e até cerca dos 20 fiz parte do
Grupo Coral de Rio de Moinhos e foi aqui, após
ter começado a fazer alguns solos nos serviços
religiosos que senti necessidade de iniciar
a minha formação com aulas de Canto. Relativamente
a descobrir as qualidades da voz
essa é a nossa procura eterna!
Como foi a experiência em Barcelona com o
tenor Francisco Lázaro?
Foi absolutamente fundamental. Com a conclusão
do meu curso superior na ESMAE de
certa forma senti que minha formação artística
tinha chegado a um beco sem saída, e a
única via de continuar o meu desenvolvimento
seria fora de Portugal e com alguém que para
além dos conhecimentos decorrentes de uma
formação universitária ao mais alto nível tinha
também uma carreira de 30 anos como cantor
profissional em alguns dos melhores teatros
de ópera do mundo. Esta experiência é absolutamente
fundamental na resolução de problemas
técnicos decorrentes duma carreira solistica,
assim como na criação de hábitos de uso
da voz de forma a uma potenciação máxima
do resultado final (potencia, definição tímbrica,
clareza da dicção) e, mais importante, da saúde
vocal pois isso irá determinar a durabilidade
e fiabilidade do cantor. Um cantor que fica
rouco com facilidade ou que está frequentemente
doente da garganta dificilmente conseguirá
fazer carreira. Um cantor lírico em carreira
é como um atleta de alta competição, tem
de treinar todos os músculos do corpo e estar
afinadinho como um Formula 1. Nesta linha de
pensamento tive a oportunidade de fazer uma
audição para o Francisco de forma a ele aferir
se valia a pena perder tempo comigo e ai tenho
estado desde 2006, agora de uma forma
mais esporádica mas em contínua formação e
reciclagem.
Há algum barítono conhecido com quem
gostava de se ter cruzado profissionalmente?
Adoraria ter tido a oportunidade de ter cantado
ao lado de Capuccilli, um artista maravilhoso
com uma voz gloriosa!
O facto de viver numa cidade mais pequena
não dificultou a entrada neste mundo?
Não, de forma alguma. Vivemos num mundo
global e conto um pequeno episodio que aconteceu
comigo e que descreve esta globalização
com rigor: Faz em Junho cerca de 3 anos
que eu estava sentado no tractor da minha
quinta em Penafiel, uma quinta- feira á tarde,
recebo uma chamada no telemóvel do Teatro
Nacional de S.Carlos a pedirem para estar no
dia seguinte de manha no auditório principal
para uma audição para o director artístico. Fiz
a audição, fui convidado para dois projectos no
S.Carlos, voltei para Penafiel ao fim da tarde já
estava novamente em cima do tractor a acabar
o trabalho do dia anterior. Na semana seguinte
estava em Madrid para mais audições.
Portanto o facto de viver numa cidade pequena
até me garante o escape ao stress de uma
profissão que exige muitas viagens, muitas
noites em hotéis.
Tem ideia de quantas pessoas se dedicam a
esta profissão no nosso país?
Cantores líricos profissionais não devemos ser
mais de cem, mas é difícil fazer uma contagem
rigorosa.
Quais são os seus projectos a curto prazo?
Neste momento estou a participar na produção
da ópera Gianni Schichi de Puccini e Blue
Monday de Gershwin que estreia no inicio de
Fevereiro, depois faço a ópera Il Capello di paglia
di Firenze em Maio e a ópera Carmen de
Bizet em Junho. Tudo no Teatro Nacional de S.
Carlos.
Em Portugal é fácil viver desta profissão?
Já foi mais fácil! Não me posso queixar da
quantidade de convites que tenho recebido todos
os anos e que me têm permitido estar
continuamente ocupado mas o facto é que ao
nível remuneratório tem vindo a decair drasticamente
de ano para ano. Dou um exemplo: o
primeiro papel que fiz e que já referi em cima,
embora um papel secundário e de há 13 anos,
está num dos mais bem pagos até hoje. Acho
que as Instituições e mesmo os particulares
não têm uma real noção do trabalho que está
por detrás duma opera ou de um recital. Muitas
vezes ouvi a pergunta: ”Mas tem de se pagar?
Eu pensei que o fazia por gosto?”
São horas e horas de preparação individual,
mais semanas de ensaios em conjunto e ainda
as semanas das apresentações.
Onde gostaria de actuar?
É um sonho ser convidado um dia para cantar
no Teatro Alla Scala de Milão.
É para mim o ícone máximo da lírica internacional.
Dos maestros com que trabalhou, há algum
que destaque particularmente?
Todos foram importantíssimos pelo que me
ensinaram, pela experiencia que proporcionaram.
Posso destacar talvez o maestro Michail
Jurowsky pela importância e destaque que
tem a nível internacional, é considerado um
dos grandes maestros da actualidade, e estar
ali ao lado dele a fazer música foi de facto
fantástico.
Prefere apresentar-se como solista, ou em
grandes espectáculos conjuntos?
Eu apresento-me sempre como solista!!! Mas
prefiro participar em óperas que fazer recitais
a solo. Os recitais são igualmente exigentes a
uma ópera mas é um trabalho individual, recolhido,
só e portanto bastante desgastante.
Como foi receber o Prémio Eng. António de
Almeida?
Foi muito bom! O curso foi bastante difícil
como são todos para um trabalhador estudante,
chegar ao fim e conseguir um dos melhores
resultados foi muito gratificante.
EU SOU
João Merino
domingo, 20 de fevereiro de 2011
IL CAPPELLO DI PAGLIA DI FIRENZE
Farsa musical em quatro actos e cinco quadros
Libreto de Nino e Ernesta Rota baseado na peça Le chapeau de paille d'Italie de Eugène Labiche e Marc Michel
Estreia absoluta: Teatro Massimo em Palermo a 21 de Abril de 1955
Direcção Musical João Paulo Santos
Encenação Fernando Gomes
Cenografia João Mendes Ribeiro
Figurinos Rafaela Mapril
Desenho de Luz Paulo Sabino
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Nova produção
TNSC
INTÉRPRETES.Fadinard, jovem rico Mário João Alves
Nonacourt, agricultor José Fardilha
Beaupertuis Luís Rodrigues
Lo zio Vezinet, surdo Carlos Guilherme
Emilio, tenente João Merino
Felice, ajudante de Fadinard Marco Alves dos Santos
Elena, filha de Nonancourt Lara Martins
Anaide, esposa de Beauperluis Dora Rodrigues
A modista Ana Franco
A Baronesa de Champigny Maria Luísa de Freitas
O nome de Nino Rota está associado à composição musical para cinema na Itália do pós-guerra, sobretudo com as parcerias efectuadas com Federico Fellini.
A sua produção musical abarcou, no entanto, vários géneros musicais apresentados desde a sala de concertos ao teatro de ópera, marcados por uma estética e processos de composição ecléticos.
Nino Rota iniciou a composição da farsa em quatro actos, Il cappello di paglia di Firenze, em 1945, terminando apenas em 1955 devido à pressão exercida por Simone Cuccia, director do Teatro Massimo em Palermo. A estreia da ópera foi um sucesso estrondoso e imediato, tendo circulado por toda a Itália e estrangeiro, recebendo sempre boas críticas.
O enredo assenta num episódio cómico, centrado na personagem Fadinard, um jovem nubente que, no dia da sua boda com a amada Elena, se vê aflito porque o seu cavalo comeu o chapéu de palha de Anaide enquanto esta se encontrava com o amante Emilio. Receosa de que seu marido, Sr. Beaupertuis desconfiasse, exigiu um chapéu igual. Fadinard inicia a busca, que o leva à casa da baronesa de Champigny, onde vários mal entendidos o conduzem à residência da Sra. Beaupertuis, que descobre ser Anaide, colocando em risco a sua boda. Tudo termina bem quando o tio surdo do protagonista lhe oferece como prenda de casamento um chapéu de palha, salvando a boda.
Destaca-se desta farsa a habilidade no tratamento da instrumentação e o sentido dramatúrgico do compositor e co-autor do libreto, conseguindo um equilíbrio entre o dinamismo e unidade que se apoia numa estrutura que evoca o vaudeville, a ópera buffa e a opereta.
Texto, Pedro Russo Moreira
Libreto de Nino e Ernesta Rota baseado na peça Le chapeau de paille d'Italie de Eugène Labiche e Marc Michel
Estreia absoluta: Teatro Massimo em Palermo a 21 de Abril de 1955
Direcção Musical João Paulo Santos
Encenação Fernando Gomes
Cenografia João Mendes Ribeiro
Figurinos Rafaela Mapril
Desenho de Luz Paulo Sabino
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Nova produção
TNSC
INTÉRPRETES.Fadinard, jovem rico Mário João Alves
Nonacourt, agricultor José Fardilha
Beaupertuis Luís Rodrigues
Lo zio Vezinet, surdo Carlos Guilherme
Emilio, tenente João Merino
Felice, ajudante de Fadinard Marco Alves dos Santos
Elena, filha de Nonancourt Lara Martins
Anaide, esposa de Beauperluis Dora Rodrigues
A modista Ana Franco
A Baronesa de Champigny Maria Luísa de Freitas
O nome de Nino Rota está associado à composição musical para cinema na Itália do pós-guerra, sobretudo com as parcerias efectuadas com Federico Fellini.
A sua produção musical abarcou, no entanto, vários géneros musicais apresentados desde a sala de concertos ao teatro de ópera, marcados por uma estética e processos de composição ecléticos.
Nino Rota iniciou a composição da farsa em quatro actos, Il cappello di paglia di Firenze, em 1945, terminando apenas em 1955 devido à pressão exercida por Simone Cuccia, director do Teatro Massimo em Palermo. A estreia da ópera foi um sucesso estrondoso e imediato, tendo circulado por toda a Itália e estrangeiro, recebendo sempre boas críticas.
O enredo assenta num episódio cómico, centrado na personagem Fadinard, um jovem nubente que, no dia da sua boda com a amada Elena, se vê aflito porque o seu cavalo comeu o chapéu de palha de Anaide enquanto esta se encontrava com o amante Emilio. Receosa de que seu marido, Sr. Beaupertuis desconfiasse, exigiu um chapéu igual. Fadinard inicia a busca, que o leva à casa da baronesa de Champigny, onde vários mal entendidos o conduzem à residência da Sra. Beaupertuis, que descobre ser Anaide, colocando em risco a sua boda. Tudo termina bem quando o tio surdo do protagonista lhe oferece como prenda de casamento um chapéu de palha, salvando a boda.
Destaca-se desta farsa a habilidade no tratamento da instrumentação e o sentido dramatúrgico do compositor e co-autor do libreto, conseguindo um equilíbrio entre o dinamismo e unidade que se apoia numa estrutura que evoca o vaudeville, a ópera buffa e a opereta.
Texto, Pedro Russo Moreira
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