terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Entrevista que saiu na revista "BIBONORTE" - Fevereiro
João Merino nasceu para o canto
profissional há 14 anos e desde
daí nunca mais parou. Com uma
voz difícil de esquecer, o Barítono,
tem sido reconhecido em Portugal e no
resto do mundo. A sua voz ecoa no Teatro
de S. Carlos em Lisboa onde tem em
mãos três grandes óperas. É em Rio de
Moinhos, Penafiel, que encontra a paz e
se liberta do stress próprio da profissão.
O que é um barítono?
Barítono é o tipo de voz que eu tenho. A Voz
humana divide-se em 6 tipos principais, 3 femininos
e 3 masculinos: no feminino temos a
Soprano (é a mais aguda), a Mezzo-soprano
(Voz média) e o Contralto (voz grave), no tipo
masculino temos o Tenor (a mais aguda), o Barítono
(média) e o Baixo (a mais grave).
Há quanto tempo se dedica a esta profissão?
Tive a minha estreia como cantor profissional
em 1997 no Europarque, Santa Mª da Feira
com a ópera “La Traviata” de G.Verdi. Já lá
vão, portanto 14 anos..
Como descobriu as qualidades da sua voz?
Cresci numa família que se reunia todos os
fins-de-semana para convívio e onde se cantava
muito. No 5º ano participei num festival
da canção organizado pelo ciclo preparatório
de Paredes e obtive o 2º lugar. A partir dos 13
anos de idade e até cerca dos 20 fiz parte do
Grupo Coral de Rio de Moinhos e foi aqui, após
ter começado a fazer alguns solos nos serviços
religiosos que senti necessidade de iniciar
a minha formação com aulas de Canto. Relativamente
a descobrir as qualidades da voz
essa é a nossa procura eterna!
Como foi a experiência em Barcelona com o
tenor Francisco Lázaro?
Foi absolutamente fundamental. Com a conclusão
do meu curso superior na ESMAE de
certa forma senti que minha formação artística
tinha chegado a um beco sem saída, e a
única via de continuar o meu desenvolvimento
seria fora de Portugal e com alguém que para
além dos conhecimentos decorrentes de uma
formação universitária ao mais alto nível tinha
também uma carreira de 30 anos como cantor
profissional em alguns dos melhores teatros
de ópera do mundo. Esta experiência é absolutamente
fundamental na resolução de problemas
técnicos decorrentes duma carreira solistica,
assim como na criação de hábitos de uso
da voz de forma a uma potenciação máxima
do resultado final (potencia, definição tímbrica,
clareza da dicção) e, mais importante, da saúde
vocal pois isso irá determinar a durabilidade
e fiabilidade do cantor. Um cantor que fica
rouco com facilidade ou que está frequentemente
doente da garganta dificilmente conseguirá
fazer carreira. Um cantor lírico em carreira
é como um atleta de alta competição, tem
de treinar todos os músculos do corpo e estar
afinadinho como um Formula 1. Nesta linha de
pensamento tive a oportunidade de fazer uma
audição para o Francisco de forma a ele aferir
se valia a pena perder tempo comigo e ai tenho
estado desde 2006, agora de uma forma
mais esporádica mas em contínua formação e
reciclagem.
Há algum barítono conhecido com quem
gostava de se ter cruzado profissionalmente?
Adoraria ter tido a oportunidade de ter cantado
ao lado de Capuccilli, um artista maravilhoso
com uma voz gloriosa!
O facto de viver numa cidade mais pequena
não dificultou a entrada neste mundo?
Não, de forma alguma. Vivemos num mundo
global e conto um pequeno episodio que aconteceu
comigo e que descreve esta globalização
com rigor: Faz em Junho cerca de 3 anos
que eu estava sentado no tractor da minha
quinta em Penafiel, uma quinta- feira á tarde,
recebo uma chamada no telemóvel do Teatro
Nacional de S.Carlos a pedirem para estar no
dia seguinte de manha no auditório principal
para uma audição para o director artístico. Fiz
a audição, fui convidado para dois projectos no
S.Carlos, voltei para Penafiel ao fim da tarde já
estava novamente em cima do tractor a acabar
o trabalho do dia anterior. Na semana seguinte
estava em Madrid para mais audições.
Portanto o facto de viver numa cidade pequena
até me garante o escape ao stress de uma
profissão que exige muitas viagens, muitas
noites em hotéis.
Tem ideia de quantas pessoas se dedicam a
esta profissão no nosso país?
Cantores líricos profissionais não devemos ser
mais de cem, mas é difícil fazer uma contagem
rigorosa.
Quais são os seus projectos a curto prazo?
Neste momento estou a participar na produção
da ópera Gianni Schichi de Puccini e Blue
Monday de Gershwin que estreia no inicio de
Fevereiro, depois faço a ópera Il Capello di paglia
di Firenze em Maio e a ópera Carmen de
Bizet em Junho. Tudo no Teatro Nacional de S.
Carlos.
Em Portugal é fácil viver desta profissão?
Já foi mais fácil! Não me posso queixar da
quantidade de convites que tenho recebido todos
os anos e que me têm permitido estar
continuamente ocupado mas o facto é que ao
nível remuneratório tem vindo a decair drasticamente
de ano para ano. Dou um exemplo: o
primeiro papel que fiz e que já referi em cima,
embora um papel secundário e de há 13 anos,
está num dos mais bem pagos até hoje. Acho
que as Instituições e mesmo os particulares
não têm uma real noção do trabalho que está
por detrás duma opera ou de um recital. Muitas
vezes ouvi a pergunta: ”Mas tem de se pagar?
Eu pensei que o fazia por gosto?”
São horas e horas de preparação individual,
mais semanas de ensaios em conjunto e ainda
as semanas das apresentações.
Onde gostaria de actuar?
É um sonho ser convidado um dia para cantar
no Teatro Alla Scala de Milão.
É para mim o ícone máximo da lírica internacional.
Dos maestros com que trabalhou, há algum
que destaque particularmente?
Todos foram importantíssimos pelo que me
ensinaram, pela experiencia que proporcionaram.
Posso destacar talvez o maestro Michail
Jurowsky pela importância e destaque que
tem a nível internacional, é considerado um
dos grandes maestros da actualidade, e estar
ali ao lado dele a fazer música foi de facto
fantástico.
Prefere apresentar-se como solista, ou em
grandes espectáculos conjuntos?
Eu apresento-me sempre como solista!!! Mas
prefiro participar em óperas que fazer recitais
a solo. Os recitais são igualmente exigentes a
uma ópera mas é um trabalho individual, recolhido,
só e portanto bastante desgastante.
Como foi receber o Prémio Eng. António de
Almeida?
Foi muito bom! O curso foi bastante difícil
como são todos para um trabalhador estudante,
chegar ao fim e conseguir um dos melhores
resultados foi muito gratificante.
EU SOU
João Merino
domingo, 20 de fevereiro de 2011
IL CAPPELLO DI PAGLIA DI FIRENZE
Libreto de Nino e Ernesta Rota baseado na peça Le chapeau de paille d'Italie de Eugène Labiche e Marc Michel
Estreia absoluta: Teatro Massimo em Palermo a 21 de Abril de 1955
Direcção Musical João Paulo Santos
Encenação Fernando Gomes
Cenografia João Mendes Ribeiro
Figurinos Rafaela Mapril
Desenho de Luz Paulo Sabino
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Nova produção
TNSC
INTÉRPRETES.Fadinard, jovem rico Mário João Alves
Nonacourt, agricultor José Fardilha
Beaupertuis Luís Rodrigues
Lo zio Vezinet, surdo Carlos Guilherme
Emilio, tenente João Merino
Felice, ajudante de Fadinard Marco Alves dos Santos
Elena, filha de Nonancourt Lara Martins
Anaide, esposa de Beauperluis Dora Rodrigues
A modista Ana Franco
A Baronesa de Champigny Maria Luísa de Freitas
O nome de Nino Rota está associado à composição musical para cinema na Itália do pós-guerra, sobretudo com as parcerias efectuadas com Federico Fellini.
A sua produção musical abarcou, no entanto, vários géneros musicais apresentados desde a sala de concertos ao teatro de ópera, marcados por uma estética e processos de composição ecléticos.
Nino Rota iniciou a composição da farsa em quatro actos, Il cappello di paglia di Firenze, em 1945, terminando apenas em 1955 devido à pressão exercida por Simone Cuccia, director do Teatro Massimo em Palermo. A estreia da ópera foi um sucesso estrondoso e imediato, tendo circulado por toda a Itália e estrangeiro, recebendo sempre boas críticas.
O enredo assenta num episódio cómico, centrado na personagem Fadinard, um jovem nubente que, no dia da sua boda com a amada Elena, se vê aflito porque o seu cavalo comeu o chapéu de palha de Anaide enquanto esta se encontrava com o amante Emilio. Receosa de que seu marido, Sr. Beaupertuis desconfiasse, exigiu um chapéu igual. Fadinard inicia a busca, que o leva à casa da baronesa de Champigny, onde vários mal entendidos o conduzem à residência da Sra. Beaupertuis, que descobre ser Anaide, colocando em risco a sua boda. Tudo termina bem quando o tio surdo do protagonista lhe oferece como prenda de casamento um chapéu de palha, salvando a boda.
Destaca-se desta farsa a habilidade no tratamento da instrumentação e o sentido dramatúrgico do compositor e co-autor do libreto, conseguindo um equilíbrio entre o dinamismo e unidade que se apoia numa estrutura que evoca o vaudeville, a ópera buffa e a opereta.
Texto, Pedro Russo Moreira
quarta-feira, 22 de julho de 2009
HENRY PURCELL
PALÁCIO DE BELÉM
FICHA TÉCNICA
Ópera trágica em três actos.
Libreto de Nahum Tate segundo a peça teatral Brutus of Alba do próprio, e A Eneida de Vergílio.
Estreia absoluta
Colégio Interno para Raparigas em Chelsea (Londres) de Josias Priest em 1689.
Estreia em Portugal
Teatro Nacional de São Carlos a 25 de Novembro de 1995.
Direcção Musical Geoffrey Styles
Encenação André Heller-Lopes
Cenografia e Figurinos Rita Pereira
Desenho de Luz Pedro Martins
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Nova produção | Co-produção
Teatro Nacional de São Carlos | Presidência da República
INTÉRPRETES
Dido / Elissa, Rainha de Cartago Ana Franco
Belinda, irmã de Dido Raquel Alão
Aeneas, Príncipe troiano João Merino
Maga João de Oliveira
2.º Mulher / Primeira Bruxa Ana Serôdio
Segunda Bruxa / Espírito sob a forma do deus Mercúrio Cátia Moreso
Marinheiro Marco Alves dos Santos
Com a participação especial de Glória de Matos
SINOPSE
Produção apresentada ao ar livre, nos Jardins do Palácio de Belém é um espectáculo que pretende assinalar a conclusão dos trabalhos de reabilitação do Jardim da Cascata do Palácio da Presidência.
Glória de Matos, conceituada artista portuguesa, fará parte deste projecto com a declamação da célebre Cantata de Dido, de Pedro António Correia Garção, no início do espectáculo. Um dos sonetos mais conhecidos da língua portuguesa, Alma Minha Gentil Que Te Partiste, de Luis de Camões, será também interpretado pela actriz no final.
Dido and Aeneas é uma ópera trágica em três actos e um prólogo, com libreto de Nahum Tate, e é considerada a única grande obra de teatro musical em inglês antes das óperas de Benjamin Britten, no século XX. A história baseia-se no IV Canto da «Eneida», do épico latino Vergílio. A acção desenrola-se ao longo de um dia, retratando o drama da rainha Dido, que se enamora de Aeneas e se vê abandonada, em detrimento da epopeia que o príncipe troiano está vaticinado a viver.
sábado, 4 de julho de 2009
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Evil Machines: World first
"A brilliant opera, brilliantly directed and brilliantly performed." (in Pythonline, 14.01.2008)

"Doze excelentes cantores, o maestro Cesário Costa e a Orquestra Metropolitana de Lisboa contribuíram decisivamente para o sucesso musical e teatral destas Evil Machines, revelando o melhor desta fantasia musical de Luís Tinoco e Terry Jones, um trabalho colectivo com 17 representações. Caso raro no teatro musical em Portugal." (in Público, 16.01.2008)

Uma da estrelas dos Monty Python, Terry Jones, está em Portugal para apresentar a estreia mundial de "Evil Machines".
A produção é de autoria conjunta do britânico com o compositor português Luís Tinoco e partiu de um desafio lançado pelo próprio São Luiz. O espectáculo conta ainda com a presença da Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção do maestro Cesário Costa. Em "Evil Machines" participam também Vin Burnham e Paulo Ribeiro.
A primeira é uma conceituada figurinista detentora de vários prémios e autora de figurinos como os de "Batman", "Catwoman", "O quinto elemento", "Tiros certeiros" ou "História interminável 3". O segundo é um reconhecido coreógrafo português e director artísticos do Teatro Viriato.

Em "Evil Machines", as máquinas ganham vida. A sinopse escrita pelo próprio Terry Jones, abre com essa premissa "Num mundo em que as máquinas e os humanos podem comunicar entre si e partilhar as mesmas esperanças e aspirações, certas máquinas têm uma agenda diferente. O melhor Aspirador do Mundo quer dominar sobre tudo e todos".

O espectador é, pois, confrontado com uma trama em que os actores estão enfiados dentro de máquinas como aspiradores, fogões, batedeiras, parquímetros, despertadores, telefones, controlos remotos, máquinas de secar, motorizadas Vespa ou bombas de gasolina.
O enredo gira em torno da sede de poder de um inventor (que mais tarde se revelará um robot) que vive numa nuvem de ferro e que estabelece um plano para dominar o mundo através de um exército de máquinas com que tenciona substituir os humanos. As suas intenções acabam por encontrar algumas resistências e, depois de muitas peripécias, acaba (o robot)por ceder perante o pedido da senhora Morris, por quem estava apaixonado.

No final, triunfa, claro, o amor e as máquinas parecem ter coração um despertador declara, também, a sua paixão a uma batedeira.
Grande parte dos diálogos são cantados - e toda a peça é falada na língua de Shakespeare, não obstante os actores serem portugueses. (...)
A música, tocada em tempo real pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, resulta em pleno e confere um ritmo dramático à acção. Pelo meio, ouvem-se efeitos de sonoplastia.
A peça (...) estará em cena até dia 3 de Fevereiro, às terças,quartas, sextas e sábados às 21 horas. Aos domingos, haverá sessões às 17.30 horas.

No dia 27, domingo, haverá uma sessão especial com interpretação em linguagem gestual. O preço dos bilhetes varia entre os 5 euros (para menores de 30 anos) e os 30 euros (1.ª plateia).
Entretanto, recorde-se que os fãs dos Monty Python podem ainda assistir ao "Best of Monty Python", durante dois sábados deste mês, no Jardim de Inverno do São Luiz.
No dia 19, as escolhas dos sketches da famosa trupe cómica serão da responsabilidade de Ricardo Araújo Pereira e Nuno Artur Silva. No sábado seguinte, dia 26, será a vez de Nuno Rogeiro. Sempre às 18.30 horas. A entrada é livre.

Luís Tinoco, Música/Music
Terry Jones, Libreto e Encenação/ Libretto and Direction
Vin Burnham, Figurinos/Costumes
Paulo Ribeiro, Coreografia/Coreography
Hernani Saúde, Cenografia, Sets
Nuno Meira, Desenho de Luz/Lights
José Luís Ferreira, Desenho de som, sonoplastia/Sound
Cesário Costa, Direcção Musical/Musical Direction

Interpretação/Interpretation (por ordem alfabética): Ana Paulo Russo, Ana Quintans, Carla Simões, Fernando Guimarães, João Oliveira, João Martins, João Merino, José Lourenço, Marco Alves dos Santos, Mário Redondo, Raquel Camarinha, Sara Braga Simões.
Orquestra Metropolitana de Lisboa
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Turismo Infinito

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| 3ª a SÁB. 21h30 DOM. 16h00 “Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças.” A frase que Bernardo Soares escreve pelo punho de Fernando Pessoa é uma das muitas epígrafes possíveis de Turismo Infinito, espectáculo em que Ricardo Pais dobra a esquina de diversas sínteses, empreendendo uma viagem ao fulgurante universo de Fernando Pessoa. O impressivo dispositivo cénico concebido por Manuel Aires Mateus figura a psyche de Pessoa, “porto infinito” onde chegam ou de onde partem o guarda-livros Bernardo Soares, o histérico e futurista Álvaro de Campos, o interseccionista “Fernando Pessoa” e o bucólico mestre Alberto Caeiro. Também Ofélia Queirós – a mulher com quem o poeta teve o único envolvimento amoroso conhecido – é convocada pela dramaturgia finamente urdida por António M. Feijó, que supera a redutora clivagem entre “vida” e “obra”, e põe em relevo alguns ritmos maiores do universo Pessoa. De novo com João Reis no elenco quase residente do TNSJ, mas também com a inspirada inventividade de colaboradores que o acompanham desde 2003, Ricardo Pais experimenta a performatividade da(s) escrita(s) de Pessoa, tecendo um poderoso enredo de estímulos auro-visuais e pondo-nos em contacto com a obra de um homem que, de modo heróico, pretendeu – e conseguiu – “introduzir beleza no mundo”.
COM JOÃO REIS | EMÍLIA SILVESTRE | PEDRO ALMENDRA A não perder..... |
